A Psicologia Transpessoal e os Limites da Epistemologia Moderna: Por uma Abordagem Ampliada e Integrativa do Cuidado Humano

HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO A Psicologia Transpessoal e os Limites da Epistemologia Moderna: Por uma Abordagem Ampliada e Integrativa do Cuidado Humano Rogério Lourenço de Moraes Resumo TRE RESUMO Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre os fundamentos epistemológicos da Psicologia moderna e a necessidade de ampliação de suas abordagens, integrando perspectivas da Psicologia Transpessoal, a partir de uma análise histórica do pensamento ocidental – desde a cisão cartesiana, passando pelo Darwinismo, até a hegemonia da Psicologia Baseada em Evidências. O texto busca evidenciar as limitações de um paradigma científico restritivo diante da complexidade da experiência humana. Com base em autores como Carl Jung, Ken Wilber, Humberto Maturana e contribuições da Mecânica Quântica, propõe-se uma retomada do conceito ampliado de psique, considerando sua dimensão simbólica, espiritual e energética, muitas vezes excluída pela ciência psicológica tradicional. Ao invés de oposição às abordagens hegemônicas, o artigo defende o pluralismo como caminho epistemológico e prático para o cuidado integral do ser humano. Palavras-chave: Psicologia Transpessoal; Pluralismo Epistemológico; Psicologia Baseada em Evidências; Espiritualidade; Ken Wilber; Jung; Mecânica Quântica. Introdução TRE 1. INTRODUÇÃO A Psicologia, como campo do saber e prática de cuidado, tem sido historicamente moldada por modelos científicos predominantes. Desde sua formalização como disciplina científica no século XIX, influenciada por paradigmas mecanicistas e empiristas, a Psicologia vem desenvolvendo uma tradição que privilegia o mensurável, o observável e o replicável. No entanto, essa orientação, ainda que tenha permitido grandes avanços, apresenta também limites significativos, sobretudo quando aplicada à complexidade da subjetividade humana. A emergência da Psicologia Transpessoal no século XX representa uma tentativa de transcender essas fronteiras. Com base em uma visão mais integrada do ser, que inclui as dimensões espiritual, energética e simbólica, essa abordagem surge como um importante ponto de vista, juntamente com outros olhares psicológicos, somando às contribuições da Psicologia científica tradicional. O presente artigo, portanto, visa contribuir com o debate sobre o pluralismo na Psicologia, defendendo que o cuidado humano exige uma abertura epistemológica que vá além dos critérios das metodologias científicas mais hegemônicas e convencionadas. Delimitação do Problema TRE 2. A Construção do Paradigma Científico Moderno: Razão, Corpo e Espírito 2.1 Dualismo e fragmentação: Descartes, Newton e Bacon O paradigma moderno da ciência nasceu da separação radical entre sujeito e objeto, mente e corpo, razão e fé. René Descartes, ao afirmar “penso, logo existo”, lançou as bases do dualismo moderno, dividindo o ser humano em res cogitans (coisa pensante) e res extensa (coisa extensa) (DESCARTES, 2005). Essa dicotomia abriu caminho para uma ciência que excluiu o corpo e os afetos da razão legítima, desconsiderando dimensões subjetivas e espirituais da existência. Isaac Newton, ao formular sua física mecanicista, consolidou uma visão de mundo baseada em leis matemáticas deterministas. Embora, não tenha amplitude para responder a maior parte das dúvidas humanas e dos mistérios da Natureza, contribuiu para a mudança de auto percepção do ser humano, ego centrando-se e elegendo a si e aos novos pressupostos científicos a falsa onipotência para responder os mais importantes mistérios da vida. O universo passou a ser visto como uma máquina previsível e ordenada, diminuindo o espaço para a incerteza, o invisível e o espiritual (CAPRA, 2006). Já Francis Bacon (2000) contribuiu com a legitimação do método empírico como via principal de acesso ao conhecimento “verdadeiro”, afastando a ciência dos discursos metafísicos. Essa tríade – Descartes, Newton e Bacon – formou o arcabouço do pensamento científico moderno, que influenciaria profundamente a Psicologia nascente no século XIX. Objetivos TRE 3. Darwinismo e a Naturalização da Psique Humana Com a publicação de A Origem das Espécies (1859), Charles Darwin propôs uma teoria que marcou uma virada epistêmica: o ser humano passou a ser compreendido não mais como criação divina, mas como produto da evolução natural por seleção (DARWIN, 2004). Essa explicação, embora científica, teve profundas implicações filosóficas, deslegitimando discursos religiosos e metafísicos sobre a alma, o espírito e a transcendência. No campo da Psicologia, isso influenciou em teorias como o funcionalismo e o behaviorismo, que explicam o comportamento humano com base em estímulo e resposta, reforçando a exclusão da subjetividade e da espiritualidade como objetos legítimos de investigação científica. Objetivos TRE 4. Psicologia Baseada em Evidências: Avanços e Limites A Psicologia Baseada em Evidências (PBE) surgiu nas últimas décadas como um esforço para validar práticas terapêuticas com base em dados empíricos e rigor metodológico, especialmente por meio de ensaios clínicos randomizados e revisões sistemáticas. Sua contribuição é indiscutível: promove a eficácia e a segurança das intervenções psicológicas (SACKETT et al., 1996). Entretanto, seus critérios de validação – centrados em medidas quantitativas e replicáveis – tornam-na insuficiente para lidar com fenômenos sutis, subjetivos e espirituais. Como destaca Walsh (2001), “a PBE tende a ignorar aspectos essenciais da experiência humana que são difíceis de quantificar, como valores, sentido, espiritualidade e transformação interior”. Conceitos como sincronicidade , intuição, fenômenos da fé, estados ampliados de consciência, são meio que desconsiderados nestes limites metodológicos. A Psicologia Transpessoal, nesse sentido, evidencia essas lacunas ao trabalhar com estados ampliados de consciência, experiências culminantes, espiritualidade e processos simbólicos não lineares. Objetivos TRE 5. O Conceito de Psique e a Redução do Símbolo Psi (Ψ) A palavra Psicologia deriva do grego psyche (alma) e logos (discurso, estudo). Originalmente, referia-se ao estudo da alma, da essência invisível que anima o ser humano. No entanto, a modernidade converteu a Psicologia em um campo voltado à mensuração do comportamento e à normalização da subjetividade e adaptação do ser humano às normatizações sociais. O símbolo Ψ, utilizado para representar a Psicologia, também foi esvaziado de seu sentido original. Ele remete a Psiquê, figura mitológica que representa a alma em processo de transformação. A Psicologia moderna, ao adotar esse símbolo mas esvaziar sua carga simbólica e espiritual, contradiz sua própria origem. Objetivos TRE 6. Psicologia Transpessoal: Uma Abordagem Ampliada do Ser Humano A Psicologia Transpessoal surge na década de 1960 como a “quarta força” da Psicologia, após o behaviorismo, a psicanálise e

Artigo – Pílulas a Rspeito Da Prosperidade à Luz do Pathwork veja todo nosso artigo aqui

HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO Pílulas sobre Prosperidade – Pathwork Pílulas a respeito da Prosperidade à Luz do Pathwork Rogério Lourenço de Moraes Trabalho como requisito parcial de atividades de conclusão de módulos da 2ª fase do programa PPTP Pathwork Brasil Regional / Goiás outubro 2022 Agradecimentos Sou grato a Deus e ao Guia como força de inspiração que nos proporciona tantos ensinamentos através destas palestras e desta metodologia. À Eva Pierrakos que esteve muito diretamente envolvida na compilação e ordenamento destes materiais. Sou grato aos dirigentes e participantes da Pathwork Foundation que historicamente deram suas contribuições na estruturação desta bela escola, aos dirigentes nacionais desde sua fundação. Sou grato aos professores e assistentes que estiveram presentes nos módulos, desde o PPTP 1 sustentando e doando sua presença para nosso aprendizado. Sou grato à Rita e Inah que mais diretamente coordenaram e sustentaram com amor e dedicação a direção do trabalho para nossa turma, sou grato aos colegas presentes e aos que participaram em algum momento deste trabalho. Sou grato a minha companheira Laura Maria pela presença, apoio e incentivo durante todo esse processo. Sou grato a mim mesmo por ter condição de sustentar o tanto possível essa escolha e compromisso com meu processo pessoal, mesmo nas adversidades. Resumo O Pathwork é uma metodologia abrangente e com recursos muito sofisticados para adentrarmos em instâncias profundas do nosso próprio Ser, compreender dinâmicas e encontrar recursos de autoconhecimento, organização pessoal, escolhas mais assertivas e esclarecimento para o crescimento pessoal, que pode estender-se para diferentes áreas da vida. Grandes autores como Freud, Reich, Jung, Rogers, entre outros, trouxeram suas contribuições teóricas e metodológicas, descobrindo conceitos e revelando suas próprias inquietações. Vendo e revendo seus processos pessoais, cometendo erros até chegar em belas conclusões. O Pathwork é diferente neste sentido. O Guia traz suas contribuições e orientações de uma forma instrutiva, sem expressar dúvidas ou inquietações pessoais do mundo terreno e humano. Ele não está descobrindo algo ou auto analisando-se, está trazendo algo que já existe de uma dimensão Superior com inspiradora e extraordinária clareza. PROSPERIDADE é uma palavra que atende a compreensão e anseios de alguns processos humanos. Por que não pensarmos em buscar referências ou chaves para a ampliação e conhecimento de mais PROSPERIDADE à luz dos ensinamentos do Guia, do Pathwork. Este texto pretende coletar de uma maneira modesta algumas pequenas pílulas que nos ajudem a nos instrumentalizar mais com relação a conhecimentos e técnicas em prol da PROSPERIDADE. Palavras-chaves: Pathwork, autoconhecimento, Prosperidade Considerações Iniciais É uma satisfação poder vislumbrar o final deste ciclo Helper. Entendo que a primeira fase do trabalho PPTP nos deu a oportunidade de vislumbrar uma diversidade de possibilidades de recursos para o autoconhecimento e também de entender pressupostos e caminhos pelos quais esta metodologia de trabalho abrange, o Pathwork. Temos, na condição de alunos e participantes dos grupos, a oportunidade de entendermos a nós mesmos a partir das instâncias internas psíquicas, como por exemplo o Eu Inferior, o Eu Superior, o Eu Observador, a Criança Interna e assim por diante. Compreender essa metodologia e saber trabalhar com ela é um processo de psicoeducação, é um processo de aprendizagem e autoconhecimento profundos. Já na segunda fase do caminho (Fase II) temos a oportunidade e a possibilidade de nos tornarmos facilitadores do trabalho, conduzindo grupos e também auxiliando outras pessoas em seu desenvolvimento pessoal. Para isso, é fundamental que tenhamos responsabilidade com o nosso processo pessoal e que saibamos que este é um processo que tem início, mas não tem fim, pois sempre nos deparamos com necessidades pessoais, aspectos da nossa personalidade que podem ser aprimorados e camadas que vamos desvendando com o passar do tempo em direção à nossa evolução. Escolha do Tema Um tema que foi escolhido por mim para esta análise, para conclusão deste trabalho, que corresponde a um assunto do meu interesse, de onde há tempos procuro estudar e aprender recursos técnicos para trabalhar com as pessoas e em minha própria vida é a Prosperidade. Quando digo Prosperidade, estou me referindo à ampliação, expansão e crescimento em vários aspectos da vida: sentimentos, relações interpessoais, paz interna, olhar para dentro e também a materialização disso no plano material, através de projetos que dispomos a realizar e cumprir. Não deixa de ser um pouco redundante falar em Prosperidade quando estudamos o Pathwork, pois a todo momento caminhamos neste sentido quando nos dispomos a autoconhecermos à luz deste método. Mas o objetivo aqui não é reinventar a pedra, mas garimpar algumas pedrinhas preciosas específicas que possam tecnicamente serem usadas para uma linha também específica de trabalho. Prosperidade é uma palavra que precisa ser melhor explicada aqui, pois, na contemporaneidade, está sendo muito explorada, inclusive comercialmente técnicas “a varejo” que prometem retornos de cunho material rápidos, em nome da Prosperidade e aqui a intenção deste estudo, sem querermos parecer prepotente, é ser mais ampla que isso. Vemos pelas citações dos dicionários como tal conceito ainda abrange o plano material, mas que isso seja um ponto de partida para entendermos um conceito mais amplo. Definição de Prosperidade No dicionário encontramos: Estado do que é ou se torna próspero. Grande produção de alimentos e bens de consumo; abundância, fartura. Ainda em Dício: Característica de próspero, desenvolvido, abundante, bem-sucedido, rico, propício: ele desejou aos noivos “paz, amor, prosperidade e felicidade pessoal”. Circunstância favorável ou próspera; felicidade. Excesso de bens materiais; riqueza. Fabricação de alimentos e produtos consumíveis em abundância; fartura. Etimologia: do latim prosperitatis. Sinônimos de Prosperidade: … Antônimos de Prosperidade: … Prosperidade é um estado de espírito e uma condição mais estável que podemos alcançar, nutrir e avançar. Não é estritamente um objetivo material ou pessoal alcançado a partir de metas de curto prazo. É mais que resultados materiais, financeiros, sucesso ou glamour, embora o crescimento pessoal e reconhecimento possam trazer ganhos nesse nível também, não sendo, contudo, o principal objetivo. . Objetivos do Tema Realizar este trabalho TCC representa para mim

A Importância do Toque na Psicologia Biodinâmica como ferramenta de promoção da saúde e do Bem Estar do Paciente

HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO A Importância do Toque na Psicologia Biodinâmica como Ferramenta de Promoção da Saúde e do Bem Estar do Paciente Bruno Rodrigues de Souza Mona Eugênia das Graças Bastos Aguiar Janete Capel Hernandes Juliana Blanquer Rogério Lourenço de Moraes ‘’O caminho pavimentado da crença, pelo toque e pela visão, conduz o mais diretamente até o coração humano e ao recinto da mente.’’ – Lucretius (c.60 a.C.) De Rerum Natura V, 105-107. RESUMO O presente estudo tem como objetivo promover um diálogo entre as referências da psicologia corporal que verificam a importância do toque na promoção de saúde e bem-estar do paciente no contexto da psicoterapia corporal clínica e também oferecer ideias e estudos que compreendem o corpo como o inconsciente visível, a pele e os demais sentidos corporais exercem uma função fisiológica, psíquica e emocional, na vida do ser humano. Os sentidos estabelecem o contato do mundo interno com o externo, assim pode-se dizer que a forma de percepção, registro e armazenamento das experiências vividas acontecem através da pele e dos demais sentidos corporais. Estas percepções vão moldando o indivíduo. Dilu Aldrighi (2016) concorda quando diz que todas as experiências vividas vão construindo o indivíduo, definindo o corpo como o resultado de suas experiências. A qualidade dessas experiências e registros, ou seja, se foram positivas ou negativas, mais próximas do prazer ou do desprazer, serão fatores decisivos na modulação desses padrões corporais, emocionais e comportamentais. Pode-se dizer então que o ser humano é definido por seus sentidos e assim fica evidente a ideia de que utilizar o corpo e os registros sensoriais como ferramenta de investigação e mapeamento no contexto da psicoterapia pode ser uma forma de intervenção assertiva no trazer à luz da consciência conteúdos inconscientes, muitas vezes traumáticos e disfuncionais, possibilitando a reprogramação / ressignificação dessas experiências com novos estímulos e registros mais condizentes com a realidade atual do paciente. Palavras-chave: Saúde; Bem-Estar; Toque; Psicoterapia Corporal; Toque e afeto. INTRODUÇÃO O Dicionário Oxford Languages (2024) define bem-estar como a sensação de segurança, conforto e tranquilidade e/ou um estado de satisfação plena das exigências do corpo e/ou espírito. A Organização Mundial de Saúde define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social, não apenas como a ausência de doença ou enfermidade. Assim percebemos que saúde e bem-estar não estão distantes, já que o conceito de qualidade de vida também tem muitos pontos em comum com a definição de saúde. (OMS, 1946) Quanto à relação corpo e mente, Weigand (2018) em seu livro Grounding e Autonomia diz que, apesar do corpo ser nossa principal forma de viver a matéria e experienciar o mundo, nem sempre ele se faz presente. Isso acontece quando o corpo fica em segundo plano em relação à mente, e daí o relacionamento com o mundo não acontece mais pelo canal do afeto, da espontaneidade, da intuição e do desejo, mas tão somente pela razão, pelo controle e por motivos aleatórios, e com isso a alma vai se distanciando cada vez mais do corpo e da coerência com a singularidade do indivíduo. A autora afirma ainda que, por mais ausente que o corpo possa estar, ainda sim emite sinais de vida emocional e, se estiver em equilíbrio, este corpo pode tornar-se fonte de prazer, alegria e segurança. Pelo contrário, quando em desequilíbrio, apresenta sintomas de tensões, dores, transtornos e doenças. Essas sinalizações corporais que mesclam mensagens psíquicas e físicas são cada vez mais reconhecidas e investigadas pela psicologia e neurociência. Ressalta a importância da integração entre razão e emoção no processo de saúde e vitalização do corpo a partir dessa aproximação entre o indivíduo e sua essência cheia de vida, espontânea e criativa. (Weigand, 2018) O filósofo e psicanalista francês Didier Anzieu (1985) desenvolve o conceito do Eu-pele como uma representação do ser durante o seu período de desenvolvimento, e o define como o si mesmo, o Eu que contém conteúdos psíquicos a partir de suas experiências táteis, a partir de toda superfície corporal, a pele. Essas experiências vão diferenciando esse Eu psíquico do Eu corporal. Assim, Didier aponta que o Eu-pele seria uma espécie de pré-Eu, que abre caminhos para que o Eu psíquico se estabeleça. Esse pré-Eu corporal é um precursor do sentimento de identidade pessoal e do senso de realidade que definem o Eu psíquico. (Anzieu, 1985) Com esses conceitos o autor traz a clareza que um ‘’início do Eu’’ está mais próximo do corpo orgânico, nomeando-o de Eu-pele como uma evolução do Ser rumo às abstrações da linguagem e do Eu psíquico. Quanto ao toque, Guará (2016) revela que nas análises e psicoterapias de orientação reichiana e neo-reichiana é natural o uso do toque e de formas específicas de massagens. Dentre as abordagens, destaca-se a Psicologia Biodinâmica criada por Gerda Boyesen, que aprimorou e desenvolveu a utilização desse recurso. Quanto ao corpo e a pele, o uso do toque e da massagem na psicoterapia traz uma polêmica, já que historicamente a análise foi direcionada e construída baseada na interação exclusivamente verbal, contudo o autor afirma que para entender os aspectos objetivos e subjetivos presentes no ser e encontrar caminhos integrativos dessas instâncias o corpo, seus acessos e reações representam um recurso valioso para uma investigação mais profunda e integrativa do ser. Diz ainda que são múltiplos os benefícios terapêuticos obtidos com o uso de toque e massagem na psicoterapia, o autor afirma que o método melhora o vínculo com o terapeuta, possibilita o estado de presença plena com as próprias sensações, abre caminhos para conteúdos pré-verbais, proporcionando experiências emocionais, possibilita abertura do paciente para revelar conteúdos mais íntimos e latentes, tem efeito de consolar e acalmar diante de situações estressantes, fortalece o vínculo e confiança no tratamento além de estabelecer um campo de confiança e acolhimento, da capacitação e conduta ética do profissional. (GUARA 2016) Gerda Boyesen, criadora do método e da Psicologia Biodinâmica, enfatiza a necessidade de

Personalidade Esquizoide Na Terapia Corporal: uma Revisão de Literatura

HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO PERSONALIDADE ESQUIZOIDE NA TERAPIA CORPORAL: UMA REVISÃO DE LITERATURA Kennedy Junyo Borba de Assis Victória Carneiro de Castro Janete Capel Hernandes RESUMO Este trabalho realiza uma revisão de literatura sobre a terapia corporal em indivíduos com personalidade esquizoide, objetivando explorar as contribuições e eficácias dessas práticas terapêuticas. “A metodologia adotada consiste em uma revisão sistemática de artigos científicos publicados nos últimos 15 anos, disponíveis no Google Acadêmico, utilizando descritores como “personalidade esquizoide”, “terapia corporal” e “Reich Núcleo Psicótico”. Os critérios de inclusão focaram em artigos com revisão por pares que detalhassem abordagens de terapia corporal aplicadas ao tratamento da personalidade esquizoide, enquanto os critérios de exclusão removeram estudos não relacionados diretamente ao tema ou fora do período estabelecido. Os resultados indicam especialmente duas abordagens da terapia corporal que podem beneficiar indivíduos com personalidade esquizoide, no que se refere à melhoria da consciência corporal e ao manejo das emoções. A conclusão sugere que, embora a terapia corporal mostre potencial, são necessários mais estudos empíricos para ampliar os saberes do campo. Este estudo contribui para a compreensão das terapias corporais como uma ferramenta valiosa no entendimento da couraça relacionada ao esquizoide. Palavras-chave: Personalidade Esquizoide; Terapia Corporal; Núcleo Psicótico. INTRODUÇÃO De acordo com Queiroz (2006, apud MISSIAS; PRATA, 2011), a Psicoterapia Corporal percebe a mente e o corpo em uma relação dinâmica, enfatizando a manifestação das emoções e energias tanto no comportamento quanto no funcionamento físico. Essa abordagem, fundamentada nos estudos de Reich, destaca a capacidade do corpo de armazenar conflitos emocionais e de se comunicar por meio de sua linguagem própria, revelando aspectos psicológicos como ansiedades, medos e desejos reprimidos. Segundo Oliveira (2023), a terapia corporal reichiana, inicialmente embasada na teoria de Sigmund Freud durante os estudos e práticas de Reich em psicanálise, incorpora aspectos orgânicos e energéticos que impactam o corpo humano. Durante o processo terapêutico, são empregadas técnicas respiratórias, posturais e de massagem, juntamente com a análise do caráter, para reestruturar o fluxo energético. Esta modalidade terapêutica é indicada para lidar com diversas situações adversas do cotidiano, como inseguranças, desânimos, depressão, ansiedade, aflições, irritabilidade, dores corporais, entre outras formas de incapacidade física e emocional. Para Lima (2023), a teoria reichiana é fundamentada em três pilares: Análise do Caráter, Vegetoterapia Caracteroanalítica e Orgonoterapia. A Análise do Caráter consiste no entendimento do fluxo energético presente no corpo humano, cujo estagnamento em determinadas regiões pode desencadear enfermidades locais. Já a Vegetoterapia busca liberar a energia corporal estagnada, enquanto a Orgonoterapia concentra-se na liberação da energia vital, conhecida como orgone, que, quando estagnada, pode causar enfermidades. Fragoso e Volpi (2019) destacam que os estudos de Reich, continuados por Navarro, deram origem à somatopsicodinâmica, cuja abordagem considera o sujeito como uma unidade funcional, onde não há separação entre soma e psique. Os estudos dentro dessa perspectiva ressaltam a existência de couraças em sete segmentos corporais, relacionadas às tensões físicas e às resistências aos conflitos do sujeito. Bernardi (2019) complementa, descrevendo as couraças musculares como componentes da identidade funcional e da postura corporal do indivíduo, refletindo padrões de tensão muscular, concentração energética e formação do Self total do sujeito, influenciando no seu funcionamento psíquico e servindo como proteções contra experiências emocionais dolorosas. Segundo Weigand (2006, apud KANIEVSKI, 2020), os discípulos de Reich, Alexander Lowen e John Pierrakos, estabeleceram o Instituto de Análise Bioenergética em Nova Iorque, com o objetivo de ampliar a teoria reichiana da Análise do Caráter e suas técnicas. Esse instituto foi o ponto de partida para o desenvolvimento da Bioenergética, uma abordagem terapêutica que se diferencia das demais por seu foco no corpo, nas funções básicas da vida e em intervenções terapêuticas ativas. Kanievski (2020) destaca que, para Lowen (1910, apud KANIEVSKI, 2020), o Grounding é fundamental na bioenergética, pois representa o contato do indivíduo com a realidade. Este processo, conhecido como enraizamento, envolve a percepção corporal das pernas, pés e chão, promovendo maior consciência corporal, emocional e energética. Scudeler (2015) explora o conceito de caráter na bioenergética, ressaltando que este se manifesta como padrões de comportamento corporal, refletidos em tensões musculares que podem ser crônicas ou inconscientes, bloqueando o fluxo energético. Lowen (1982, apud KANIEVSKI, 2020) identifica cinco tipos básicos de caráter, cada um com padrões específicos de defesa muscular e psicológica, ressaltando que a análise concentra-se no padrão de comportamento dominante, em vez de categorizar rigidamente o tipo de caráter. Caracterização da Personalidade Esquizoide (Núcleo Psicótico) Reich (citado por Navarro 2013, p. 56, apud FRAGOSO e VOLPI, 2019), identificou que as tensões localizadas em sete segmentos interligados são consequência de possíveis bloqueios ou alterações da pulsação energética, que podem ocorrer devido ao acúmulo energético ou falta energética em um desses segmentos, interferindo na energia de seguir seu padrão pulsional de movimento de tensão, carga, expressão, descarga e relaxamento. Segundo Santos e Volpi (2013), durante a fase gestacional o bebê possui uma energia livre e voltada ao seu desenvolvimento enquanto sente um acolhimento materno. Esse momento/fase é conhecido como etapa de sustentação e contempla todo o período embrionário, fetal e/ou neonatal. É nessa etapa que o traço de caráter esquizoide, também conhecido como núcleo psicótico, desenvolve-se, conforme tabela apresentada por Silva, Silva e Bittencourt (2013). Fonte: MAPA DE REDE E ECOMAPA: ESTRATÉGIAS DA PSICOLOGIA SISTÊMICA AUXILIANDO O TRABALHO CLÍNICO DA PSICOLOGIA CORPORAL, de SILVA, SILVA e BITTENCOURT (2013). De acordo com Silva, Dias e Silva (2024), o primeiro contato emocional ocorre durante a formação do bebê, no útero da mãe, onde as influências externas (do mundo) são transmitidas pelos sentimentos e emoções da mãe para o bebê, por meio das paredes do útero e cordão umbilical, trazendo nutrição fisiológica, emocional e energética na formação do embrião. Essas emoções estão intimamente relacionadas à energia corporal que perpassará todo o processo de desenvolvimento desse novo ser. A energia que o embrião receberá será determinada pelo nível de energia presente no útero materno. Emoções simples como medo, raiva, alegria e tristeza, vividas

Artigo – Duarte A Técnica de Redução de Estresse (TRE)

HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO HOME QUEM SOMOS ATIVIDADE BIBLIOTECA FALE CONOSCO CURSOS ÁREA DO ALUNO A Técnica de Redução de Estresse (TRE) como Estratégia Complementar no Alívio da Ansiedade ¹Ana Paula Duarte ²Elna Jose dos Santos Araújo ³Isabella de Oliveira Santos Ribeiro Orientadora: Janete Capel Hernandes Resumo TRE RESUMO Este trabalho tem como objetivo analisar, por meio de uma abordagem exploratória e revisão bibliográfica, como a Técnica de Redução de Estresse (TRE) pode contribuir para o alívio dos sintomas da ansiedade. Considerando o crescente número de pessoas afetadas por transtornos ansiosos no Brasil e no mundo, torna-se fundamental investigar alternativas terapêuticas que integrem corpo e mente no processo de cuidado. A TRE, desenvolvida por David Berceli, propõe a liberação de tensões corporais profundas por meio da indução de tremores neurogênicos, considerados mecanismos naturais de autorregulação do sistema nervoso. O estudo foi fundamentado em autores como Reich, Lowen, Porges e Levine, que reforçam a importância das abordagens somáticas na psicoterapia. A análise das publicações científicas indica que a TRE pode promover benefícios significativos, como relaxamento muscular, redução de sintomas ansiosos, melhora do sono e aumento da autopercepção corporal. Além disso, sua simplicidade, acessibilidade e aplicabilidade em diferentes contextos favorecem sua inclusão entre as práticas integrativas de saúde. Os resultados encontrados reforçam a necessidade de ampliar o reconhecimento da TRE como recurso complementar no cuidado emocional, e também de estimular novas pesquisas empíricas sobre sua eficácia clínica. Palavras-chave: Ansiedade. Psicoterapia corporal. Técnica de Redução de Estresse. Regulação emocional. Saúde mental. Introdução TRE 1. INTRODUÇÃO A ansiedade é uma resposta emocional natural diante de situações que envolvem medo, ameaça ou expectativa. Em níveis controlados, essa resposta pode ser benéfica, funcionando como um sinal de alerta que prepara o indivíduo para agir diante de desafios. Contudo, quando a ansiedade ultrapassa os limites considerados saudáveis, tornando-se constante, desproporcional ou incapacitante, ela passa a ser classificada como um transtorno. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017), o Brasil possui a maior taxa de prevalência de transtornos de ansiedade do mundo, o que reforça a urgência em encontrar formas eficazes de prevenção e tratamento. De acordo com Apóstolo et. al (2006) a ansiedade pode ter diversos fatores como herança genética, estresse crônico, condições ambientais e exposição a vivências traumáticas, influenciando tanto o equilíbrio emocional quanto as funções físicas. Diante dessa realidade, é cada vez maior o interesse por práticas terapêuticas que atuem além da fala, integrando o corpo como parte fundamental no processo de cuidado. Uma dessas práticas é a Técnica de Redução de Estresse (TRE), criada por David Berceli, que propõe a ativação de tremores neurogênicos como forma natural de liberar tensões profundas acumuladas nos músculos. Como explica o próprio autor, os tremores neurogênicos são uma resposta inata do corpo que, em situações perigosas ou traumáticas são ativadas. O equilíbrio emocional e físico é restaurado com auxílio da liberação consciente desses tremores (Berceli, 2008). Ao acessar esse mecanismo de forma controlada, a TRE permite que o corpo libere estresse acumulado de forma segura, o que pode contribuir significativamente para o alívio da ansiedade. A técnica se insere no campo das psicoterapias corporais, que tem origem nos estudos de Wilhelm Reich. Para Reich (1988), as emoções não expressas se armazenam no corpo em forma de couraças musculares, interferindo tanto na saúde emocional quanto física. Essa ideia foi aprofundada por Alexander Lowen, que afirmou que “todas as tensões crônicas são formas de contenção emocional, e libertar essas tensões é essencial para a cura psicológica” (Lowen, 1980, p. 91). Assim, o corpo deixa de ser um mero receptor passivo da dor emocional e passa a ser um agente ativo no processo de cura. Além disso, por ser de fácil aplicação, a TRE pode ser usada de forma individual ou em grupo, sem a necessidade de equipamentos, sendo acessível até mesmo para pessoas sem experiência prévia em terapias corporais. Essa característica a torna especialmente útil em um cenário como o atual, marcado por altos índices de estresse, pressões cotidianas e pouco acesso a tratamentos psicológicos convencionais. Kabat-Zinn (2004) destaca que uma das maneiras mais eficazes de o sujeito retomar a conexão com o presente e com o bem-estar do indivíduo é ter entendimento do próprio corpo. Este trabalho tem como proposta refletir, a partir de uma abordagem teórica e exploratória, como a Técnica de Redução de Estresse (TRE) pode contribuir para o alívio dos sintomas de ansiedade. O objetivo é promover um olhar mais sensível, humanizado e integrativo sobre o cuidado emocional, valorizando práticas que reconhecem o corpo como parte essencial no processo de cura e equilíbrio psicológico. Delimitação do Problema TRE 2. DELIMITAÇÃO E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA Este estudo está delimitado a uma análise teórica da Técnica de Redução de Estresse (TRE) enquanto recurso complementar no cuidado da ansiedade, considerando exclusivamente uma abordagem bibliográfica e qualitativa. A pesquisa concentra-se na literatura científica publicada nas últimas décadas que trata da relação entre corpo, emoções e saúde mental, sem envolver coleta de dados em campo ou experimentação direta com indivíduos. A escolha por essa delimitação se justifica pela proposta de aprofundar a compreensão dos efeitos da TRE a partir de evidências e reflexões já consolidadas, respeitando o caráter exploratório do trabalho. Gil (2010) diz que a pesquisa bibliográfica permite explorar uma questão a partir de diferentes ângulos, levando em consideração o estudo de outros autores, o que é especialmente válido quando se busca fundamentar teoricamente práticas ainda em expansão no campo clínico. A delimitação também se alinha ao objetivo de promover um olhar crítico e humanizado sobre as terapias corporais, com foco na integração entre corpo e mente como vias legítimas de cuidado emocional. O estudo parte do princípio de que, diante do crescimento dos transtornos ansiosos na população brasileira — que lidera o ranking mundial segundo a Organização Mundial da Saúde (2017) — é necessário explorar abordagens acessíveis, eficazes e seguras, como a TRE, que podem complementar os modelos terapêuticos tradicionais. Dessa forma, o problema central que orienta esta pesquisa é: